segunda-feira, 10 de maio de 2010
PEQUENOS PRAZERES
Temos pequena horta onde são cultivados temperos, algumas folhas, verduras e frutas. Nesse fim de semana colhemos tomatinhos, alface e rúcula. Uma salada especial temperada com azeite de oliva extra virgem e sal negro do Havai (Kilauea).
MONTANHAS ROCHOSAS (terceira parte)
No dia seguinte, a pedalada foi até Mosquito Creek, com 64 km. A 10 km há uma cafeteria com sanduíches e bebidas quentes. Foi o pior dia da pedalada. Foram as subidas mais íngremes e longas que já vi. E havia sempre um vento contra, forte, segurando a bici, fazendo pedalar forte mesmo nas poucas retas. O vento gelado tornava cada respiração difícil e dolorosa, mesmo com o passa-montanha cobrindo o nariz. Os 64 km pareciam mais de 500. A chegada foi um alívio inesquecível. Nesta noite não fui para a fogueira. Dormi antes de escurecer (nas Rochosas nesta época, escurece às 22:00h). Foi também o dia mais frio da pedalada. Depois das 17h a temperatura em geral cai muito. Acordar e arrumar a bici pela manhã é sempre um exercício penoso. Pelo cansaço e pelo frio. O gerente do albergue de Mosquito Creek é o Alan, um sujeito magro, sorridente -sorriso de paisagem- daqueles que explicam tudo, nos seus mínimos detalhes, várias vezes, obsessivamente. Os banheiros eram bem longe, no final de uma trilha por detrás dos dormitórios. Nesta noite acordei para ir ao banheiro e lembrei-me que os latões de lixo ficavam próximo aos banheiros e os ursos têm atração especial por procurar restos de comida nos acampamentos. A cada passo, de madrugada, na trilha, parecia ver a sombra de um urso. Foi a esvaziada de bexiga mais rápida do hemisfério norte.
No quarto dia, de Mosquito Creek a Lake Louise, são 23 km. E aí recuperei minha abalada auto-estima. É uma trilha belíssima, com subidas e descidas normais. Chega-se em menos de 2h. Vale a pena ficar em Lake Louise. Há a tendência de encurtar a viagem um dia e ir até Banff, mais 60km. Perfeitamente viável. Mas ficar em Lake Louise é necessário. Precisa ver os lagos próximos, como o Lago Louise e Lago Moraine. Em Lake Louise o albergue é maior e tem água corrente, quente e chuveiro. Vá jantar no Out Post Pub. Fica dentro de um hotel, o The Post, logo na entrada da vila e vizinho ao albergue.
O quinto e último dia foi um presente dos deuses. Descansado pela pedalada curta do dia anterior, sem os ventos gelados e cortantes das montanhas próximas dos glaciares, com uma vista das mais bonitas, com pequenos lagos e riachos acompanhado a estrada o tempo todo, a pedalada de Lake Louise a Banff, 60km, é um descanso. Mas deve-se ir pela estrada alternativa, chamada Bow Valley road. O pouco movimento e a temperatura mais amena permite ver mais animais selvagens, como coiotes, alces e cabras montesas. Não vi nenhum urso. Não sei se felizmente ou infelizmente. Este tipo de viagem é ideal para bicis. Os canadenses respeitam a natureza e os ciclistas. Durante todo o trajeto, não houve um único carro que passasse próximo ou de maneira descuidada. A Via Rail, companhia de trem, cobra 20 dólares pelo transporte da bici, de Vancouver a Jasper, porém a trata muito bem. Quando recomendei cuidado especial, porque teria que pedalar já no dia seguinte à chegada colocaram a bici em uma caixa própria. Em Vancouver, no aeroporto, o cuidado com a bici é tranquilizador. E os ônibus da cidade (acredite) têm transportadores de bici. A cidade toda é bem servida de ciclovias, inclusive no centro. A não ser pelos banhos nos rios congelando e o medo dos ursos próximos aos banheiros à noite, a viagem é uma delícia. Segura e barata.
No quarto dia, de Mosquito Creek a Lake Louise, são 23 km. E aí recuperei minha abalada auto-estima. É uma trilha belíssima, com subidas e descidas normais. Chega-se em menos de 2h. Vale a pena ficar em Lake Louise. Há a tendência de encurtar a viagem um dia e ir até Banff, mais 60km. Perfeitamente viável. Mas ficar em Lake Louise é necessário. Precisa ver os lagos próximos, como o Lago Louise e Lago Moraine. Em Lake Louise o albergue é maior e tem água corrente, quente e chuveiro. Vá jantar no Out Post Pub. Fica dentro de um hotel, o The Post, logo na entrada da vila e vizinho ao albergue.
O quinto e último dia foi um presente dos deuses. Descansado pela pedalada curta do dia anterior, sem os ventos gelados e cortantes das montanhas próximas dos glaciares, com uma vista das mais bonitas, com pequenos lagos e riachos acompanhado a estrada o tempo todo, a pedalada de Lake Louise a Banff, 60km, é um descanso. Mas deve-se ir pela estrada alternativa, chamada Bow Valley road. O pouco movimento e a temperatura mais amena permite ver mais animais selvagens, como coiotes, alces e cabras montesas. Não vi nenhum urso. Não sei se felizmente ou infelizmente. Este tipo de viagem é ideal para bicis. Os canadenses respeitam a natureza e os ciclistas. Durante todo o trajeto, não houve um único carro que passasse próximo ou de maneira descuidada. A Via Rail, companhia de trem, cobra 20 dólares pelo transporte da bici, de Vancouver a Jasper, porém a trata muito bem. Quando recomendei cuidado especial, porque teria que pedalar já no dia seguinte à chegada colocaram a bici em uma caixa própria. Em Vancouver, no aeroporto, o cuidado com a bici é tranquilizador. E os ônibus da cidade (acredite) têm transportadores de bici. A cidade toda é bem servida de ciclovias, inclusive no centro. A não ser pelos banhos nos rios congelando e o medo dos ursos próximos aos banheiros à noite, a viagem é uma delícia. Segura e barata.
domingo, 9 de maio de 2010
BRIGADEIRO DE FRUTAS VERMELHAS COM CROCANTE DE AMÊNDOAS
A inspiração para o encerramento do jantar de harmonização em torno do champanhe rosé veio do PFdinner, do Vitor Hugo. Porém, chocolate e champanhe não fazem casamento feliz. Assim, adaptamos a receita de brigadeiro acrescentando licor de frutas vemelhas e usando crocante de amêndoas. Servimos em potinho, para comer com colher. Caso queira enrolar não acrescente creme de leite. A receita ficou assim:
BRIGADEIRO DE FRUTAS VERMELHAS COM CROCANTE DE AMÊNDOAS
INGREDIENTES:
1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de manteiga sem sal
2 colheres de sopa de licor de frutas vermelhas
2 colheres de sopa de creme de leite sem soro
1/4 de colher de café de corante alimentício rosa
50 g de amêndoas sem pele
MODO DE PREPARO:
Leve ao fogo baixo todos os ingredientes, com exceção do creme de leite e das amêndoas. Mexendo sempre, deixe no fogo até começar desprender do fundo da panela. Acrescente o creme de leite e mexa mais um pouco. Distribua em pequenos potes ou em xicaras. Se preferir, despeje num prato untado com manteiga sem sal. Depois de esfriar, faça bolinhas com pequenas porções da massa e passe no crocante de amêndoas.
Para o crocante:
Numa frigieira coloque as amêndoas e leve ao fogo, mexendo sempre até elas começarem a tostar. Cuidado! Elas queimam facilmente. Deixe esfriar e passe no processador de alimentos ou triture grosseiramente. Polvilhe os brigadeiros, nos potinhos, com ele.
BRIGADEIRO DE FRUTAS VERMELHAS COM CROCANTE DE AMÊNDOAS
INGREDIENTES:
1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de manteiga sem sal
2 colheres de sopa de licor de frutas vermelhas
2 colheres de sopa de creme de leite sem soro
1/4 de colher de café de corante alimentício rosa
50 g de amêndoas sem pele
MODO DE PREPARO:
Leve ao fogo baixo todos os ingredientes, com exceção do creme de leite e das amêndoas. Mexendo sempre, deixe no fogo até começar desprender do fundo da panela. Acrescente o creme de leite e mexa mais um pouco. Distribua em pequenos potes ou em xicaras. Se preferir, despeje num prato untado com manteiga sem sal. Depois de esfriar, faça bolinhas com pequenas porções da massa e passe no crocante de amêndoas.
Para o crocante:
Numa frigieira coloque as amêndoas e leve ao fogo, mexendo sempre até elas começarem a tostar. Cuidado! Elas queimam facilmente. Deixe esfriar e passe no processador de alimentos ou triture grosseiramente. Polvilhe os brigadeiros, nos potinhos, com ele.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
HARMONIZAÇÃO CHAMPANHE ROSÉ
Iremos receber casal de amigos, M. e S., e seu filho com esposa para jantar de harmonização em torno do champanhe rosé. Baseamos, em parte, o cardápio nas sugestões do livro: Um só vinho da entrada à sobremesa, publicado pela Larousse do Brasil. Pena que nem todos os pratos possuam receitas e as publicadas, muitas vezes, são pouco detalhadas. Assim, embora as sugestões de harmonização mostrem-se perfeitas, resta o trabalho de pesquisa das mesmas. O cardápio ficou assim:
ENTRADA FRIA
Pétalas de salmão e mariscos com saladinha de mini folhas
ENTRADA QUENTE
Vieiras aromatizadas com foundue de alho-poró
PRATO PRINCIPAL
Coelho à moda do chef e penne rigato al burro
SOBREMESAS
Suflê gelado de framboesas
Brigadeiro de frutas vermelhas com crocante de amêndoas
ENTRADA FRIA
Pétalas de salmão e mariscos com saladinha de mini folhas
ENTRADA QUENTE
Vieiras aromatizadas com foundue de alho-poró
PRATO PRINCIPAL
Coelho à moda do chef e penne rigato al burro
SOBREMESAS
Suflê gelado de framboesas
Brigadeiro de frutas vermelhas com crocante de amêndoas
quarta-feira, 5 de maio de 2010
MONTANHAS ROCHOSAS (segunda parte)
O segundo dia de pedalada partindo de Beauty Creek a Rampart Creek, com 56km foi muito especial pela paisagem, mas não foi fácil também. De Beauty Creek ao Glaciar de Columbia, em Columbia Icefield, sobe-se muito e a temperatura cai, além de faltar oxigênio. Mas é necessária uma parada nesse gelo perene de milhares de anos. Se você pegar o guarda distraído, dá para subir e andar um pouco no glaciar. É uma experiência boa andar sobre esse gelo de mais de 10.000 anos. Quando o guarda o vir lá em cima, vai ter um chilique e expulsá-lo, mas aí você já curtiu andar num glaciar. O glaciar está a 19 km de Beauty Creek e tem café e chocolate quente para vender. A pedalada até Rampart Creek é agradável. Tem boas, porém curtas, descidas após Columbia Icefield. Às vezes, quando bate o desânimo, é só olhar a paisagem em volta e vem a vontade de ir adiante. Em Rampart Creek, o albergue não é diferente, mas é mais organizado. O gerente é o Tyler, um rapaz claro, de barbicha e cabelos longos, fala mansa e muito prestativo. Quando falei que pretendia tomar banho no riacho ele alertou-me que era frio (um morador de lá falando isso já era de assustar). E se dispôs a acender a sauna. Alguns albergues têm sauna. É uma cabana de madeira onde se acende uma fogueira do lado externo, dentro de uma caixa de metal. O calor é irradiado para dentro e permanece na pequena cabana de madeira. É agradável, principalmente depois de um banho gelado. Nesta noite, à beira da fogueira, apareceu uma moça, sino-americana, bonita, chamada Toby, compositora e cantora profissional. Cantou em mandarim músicas que ela mesma compôs e fez uma das melhores interpretações de Summertime que já ouvi. À beira da fogueira, sem qualquer instrumento acompanhando, apenas com o ruído do crepitar da madeira.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
MONTANHAS ROCHOSAS CANADA (primeira parte)
Fiz a viagem que planejava havia muito tempo. Pedalar na Icefield Parkway Express, tida como a rodovia mais bonita do planeta, nas Montanhas Rochosas, no Canadá. Para ir a Vancouver, ponto inicial no Canadá, você pode usar as milhas da TAM, se for pela United Airlines. De Vancouver, toma-se o trem da Via Rail Canadá até Jasper. O trem é vagaroso e leva vinte horas, porém é confortável, mesmo na classe econômica e a viagem é muito agradável pela paisagem. Jasper é uma cidadezinha pequena, tem três ou quatro ruas apenas e é toda voltada ao turismo. A maioria das casas tem quartos para alugar. O que fiquei, por 45 dólares canadenses, era confortável, limpo e bem arejado. O banheiro era compartilhado por outros hóspedes, mas tinha água quente e chuveiro, sem café da manhã. Há inúmeros Bed and Breakfast. Há três lojas de bici, uma delas, a FreeWheel, tem muitas opções de peças. Também aluga bicis. Minha intenção era fazer o percurso de Jasper a Banff, de 300km, em cinco dias. Pedala-se boa parte do tempo ao lado de rios rasos, pedregosos e rápidos, de águas claras. E dentro de uma floresta de pinheiros bem altos. Neste percurso é provável que você vá ver algum animal selvagem, como coiotes e caribus. Se tiver sorte, um urso ou um cougar, que é um tipo de felino das montanhas. Os coiotes e caribus são mais frequentes, mas difíceis de fotografar, porque quando se pára a bici para pegar a câmera, eles fogem para a floresta. Há vários avisos para se tomar cuidado com os ursos. Um ataque de urso é sempre fatal. Eles correm mais do que você, são fortes e sobem em árvores. Não há como escapar. O que os guardas florestais recomendam, é que você fique parado, não grite, não encare o urso nos olhos e se afaste, caminhando de costas, lentamente. Fácil falar.(E torcendo para não tropeçar e para aquele urso ser bonzinho). Algumas lojas de artigos turísticos vendem sininhos para espantar ursos. Dizem que se você andar na trilha tocando o sino, ele não se aproximam. Porém, este artifício atrai os predadores dos ursos que são os cougars e os coiotes que em bandos são muito perigosos também. É do caldeirão para o fogo. Vale lembrar que celulares e internet não funcionam em todo o trajeto da rodovia. A primeira parada foi em Atabaska Falls, a 30 km. Este percurso deve ser feito pela rodovia 93 A, que é uma via alternativa, é uma scenic road, como dizem. É uma estrada pequena, estreita e praticamente sem movimento de carros. Inicia em Jasper e vai até Atabasca Falls. A partir de Atabasca Falls, que vale um descanso vendo as cachoeiras, sobe-se a Beauty Creek. Um albergue (hostel) que fica a 84 km de Jasper. Esta segunda perna da jornada é mais dificil. Neste trecho tem-se que ir pela autoestrada, mas há muitas subidas. As subidas aqui são muito mais íngremes e longas que as que já conheci. Mesmo na Espanha, nas montanhas Cantábricas ou no Cebreiro, não há subidas assim. As dos Pirineus rivalizam em aclive, mas não em comprimento. Além disso, se você forçar as pedaladas, sobrevem dor de cabeça forte e náuseas, devido à altitude e ausência de oxigênio. Portanto, há que se ter paciência e ir subindo devagar, com várias paradas. Lembre-se que estará pedalando entre 2.500 e 3.000 m de altitude. Inúmeras vezes parei para ver se havia algo errado com a bici, porque as pedaladas não rendiam. Parecia que os freios estavam segurando ou que os rolamentos dos cubos estavam prendendo. Mas a bici estava perfeita, bem lubrificada, com boa rolagem, silenciosa e macia, com o câmbio e os freios precisos e bem ajustados, graças ao Veto, mecânico da Tribo do Djalma, aqui em Cuiabá. O problema era comigo mesmo, faltava perna e pulmão. Não estava habituado a subidas tão longas. Várias delas têm mais de 5 km. O albergue (hostel) de Beauty Creek custa 27 dólares canadenses. O gerente é um senhor safenado de sessenta e poucos anos, meio hippie, cabelos longos, tatuagens, de boa conversa, chamado Tom. Absolutamente relaxado em cuidar do albergue, que parece abandonado. Os banheiros são químicos, não há descarga e ficam invariavelmente longe dos quartos. Se precisar levantar-se à noite, é bom ter uma lanterna. Não há chuveiros, nem água encanada e nem eletricidade. A água utilizada é do rio e precisa ser fervida para beber ou fazer comida. Esses albergues têm cozinha, com fogão a gás e utensílios simples, mas sem água corrente. E você tem que lavar sua louça depois. Com água do rio (bem gelada). Eles fornecem colchões, lençóis e cobertores. Mas se você pretende tomar banho, leve sua toalha. Há toalhas próprias, bem absorventes e leves. Compram-se pela internet. O banho é no riacho e a água beira zero grau. Precisa coragem para entrar, mas depois não é tão ruim.
Há sempre uma fogueira para se ficar até a hora de dormir. O pessoal que se reúne nesses albergues são em geral estudantes viajando de maneira econômica. E há gente do mundo todo.
Há sempre uma fogueira para se ficar até a hora de dormir. O pessoal que se reúne nesses albergues são em geral estudantes viajando de maneira econômica. E há gente do mundo todo.
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